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	<title>Artigos &#8211; Sine Brasil &#8211; Sistema Integral da Nova Evangelização</title>
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		<title>A metodologia do SINE &#8211; Dom Eduardo Benes de Sales Rodrigues</title>
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		<dc:creator><![CDATA[Sine]]></dc:creator>
		<pubDate>Thu, 22 Aug 2019 14:06:28 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Artigos]]></category>
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					<description><![CDATA[A metodologia do SINE As visitas missionárias Saída Missionária a todo o território, dividido em setores, para buscar as ovelhas perdidas e afastadas, através de missões evangelizadoras intensivas e visita missionária permanente, em cada setor, de casa em casa. Os retiros querigmáticos (de evangelização) como fruto das visitas e das missões acontecem os retiros querigmáticos [...]]]></description>
										<content:encoded><![CDATA[<p style="text-align: center;"><span style="font-size: 160%;"><strong>A metodologia do SINE</strong></span></p>
<p><strong>As visitas missionárias</strong></p>
<p><strong>Saída Missionária</strong> a todo o território, dividido em setores, para buscar as ovelhas perdidas e afastadas, através de <strong>missões evangelizadoras intensivas</strong> e <strong>visita missionária permanente</strong>, em cada setor, de casa em casa.</p>
<p><strong>Os </strong><strong>retiros querigmáticos</strong> (de evangelização) como fruto das visitas e das missões acontecem os retiros querigmáticos preparados nas Casas de Preparação através de uma informação clara e de motivação profunda.</p>
<p>A base de lançamento desse trabalho é o <strong>testemunho de vida</strong> das pessoas e da comunidade. Aí se revela a força do querigma.</p>
<p>Os <strong>retiros querigmáticos</strong> são o grande segredo do processo de evangelização. Isto porque não é possível uma <u>experiência do querigma</u> se a pessoa não está em atitude de busca sincera do encontro com a salvação. Esta atitude despertada, na <strong>visita missionária</strong> e reforçada na <strong>Casa de Preparação</strong>, é condição do sucesso do retiro.</p>
<p>Em um mundo em que as pessoas estão sempre correndo na luta pela sobrevivência, quando não em busca de valores efémeros, é necessária essa parada para pensar no sentido da vida e trazer à tona a mais profunda aspiração do próprio coração. Também nós, presbíteros, precisamos desses momentos. <em>Cada retiro</em> deveria ser para nós a <em>renovação do encontro com Cristo</em>, deveria ser marcado pelo querigma. <em>Mas, para muitos cristãos, de um cristianismo cultural ou simplesmente moralizante, &#8211; pastorais sem o querigma se tornam peso e obrigação -, esta experiência é fundamental, e há de se tornar o início de uma vida de verdadeiro discípulo</em>. <em><u>Aqui deve se dar aquele encontro que levou os primeiros discípulos a dizerem: &#8220;encontramos o Messias&#8221;</u></em> (Jo 1,41) <em><u>e a se decidirem pelo seguimento de Jesus até o final de suas vidas</u></em>. Mesmo aqueles cristãos que começaram seu encontro com Cristo no empenho de lutar pela justiça ou de ir ao encontro dos pobres, necessitam dessa experiência espiritual que há de trazer um novo vigor e uma motivação ainda mais forte para sua atuação no mundo.</p>
<p>Nossas paróquias estão cheias de pastorais e não há gente suficiente para tantas necessidades. Algumas atividades se destinam também ao anúncio. Isto acontece, porém, de forma imperfeita, porque nem sempre as pessoas estão preparadas para receberem o anúncio. Participam, até gostam, mas não se convertem. Não é o que acontece com as preparações para os sacramentos do batismo e do matrimônio, por exemplo?</p>
<p>Sem o querigma as pessoas não se sentem motivadas nem para a missa dominical, quanto mais para as pastorais. Muitos dão o dízimo e se contentam com essa doação. Sentem-se em paz com sua consciência. O querigma propriamente tem sido oferecido pelos movimentos, embora nem sempre de forma ordenada e com a devida continuidade através de uma catequese de adultos querigmática e permanente. <strong><u>A proposta do SINE é que a paróquia assuma como sua primeira tarefa propor o querigma a todos</u>.</strong></p>
<p>Todos devem ter oportunidade de receber o <strong>querigma</strong> através do testemunho da comunidade, das <strong>visitas missionárias</strong> e das <strong>missões intensivas</strong> através das quais se espera que um número crescente de pessoas se disponha a fazer o <strong>retiro de experiência do querigma</strong>. O início da conversão pastoral da paróquia é começar a trabalhar nessa direção.</p>
<p><strong><em><u>O que é o querigma, qual seu conteúdo e como proclamá-lo e fazê-lo chegar a todos</u></em></strong><strong>?</strong></p>
<p><strong>Para modelar as comunidades</strong></p>
<p><strong>A Iniciação Cristã</strong></p>
<p><strong><em>&#8220;Sentimos a urgência de desenvolver em nossas comunidades um processo de iniciação na vida cristã que comece pelo querigma e que, guiado pela Palavra de Deus, conduza a um encontro pessoal, cada vez maior, com Jesus Cristo, perfeito Deus e perfeito homem, experimentado como plenitude da humanidade e que leve à conversão, ao seguimento em uma comunidade eclesial e a um amadurecimento de fé na prática dos sacramentos, do serviço e da missão&#8221; (389).</em></strong></p>
<p>O <strong><em>anúncio, a experiência do querigma</em></strong>, o encontro com o Senhor, <strong><em>fazem nascer o discípulo</em></strong>. Este deve agora crescer no seguimento e se tornar também <strong><em>missionário</em></strong>. Entretanto não se é discípulo sozinho. Cresce-se em comunidade.</p>
<p>A comunidade dos discípulos se desenvolve pela escuta da Palavra. O Doc. de Aparecida fala, então, da iniciação à vida cristã e da catequese permanente (286 a 300). A iniciação sustenta os primeiros passos daquele que foi tocado pela presença do Senhor, pelo <strong>querigma</strong>, na linha do catecumenato da Igreja dos primeiros tempos: &#8220;a iniciação cristã, propriamente falando, refere-se à primeira iniciação nos mistérios da fé, seja na forma do catecumenato batismal para os não batizados, seja na forma de catecumenato pós-batismal para os batizados não suficientemente catequizados. Esse catecumenato está intimamente unido aos sacramentos da iniciação: batismo, confirmação e eucaristia, celebrados solenemente na Vigília Pascal&#8221; (288). &#8220;A formação do cristão &#8220;teve sempre caráter de experiência, na qual era determinante o encontro vivo e persuasivo com Cristo, anunciado por autênticas testemunhas&#8221;. &#8220;Trata-se de uma experiência que introduz o cristão numa profunda e feliz celebração dos sacramentos, com toda a riqueza de seus sinais. Desse modo, a vida vem se transformando progressivamente pelos santos mistérios que se celebram, capacitando o cristão a transformar o mundo. Isso é o que se chama &#8216;catequese mistagógica&#8221;&#8216; (290).</p>
<p>&#8220;É necessário assumir a dinâmica catequética da iniciação cristã. Uma comunidade que assume a iniciação à vida cristã renova sua vida comunitária e desperta seu caráter missionário. Isso requer novas atitudes pastorais por parte dos bispos, presbíteros, diáconos, pessoas consagradas e agentes de pastoral&#8221; (291).</p>
<p>&#8220;Espera-se da <strong>iniciação cristã</strong> que leve o discípulo a ter <strong>Cristo como centro de sua vida</strong>, a ter espírito e prática de oração, ser amante da Palavra, assíduo à confissão frequente e participe sempre da eucaristia, inserido na comunidade eclesial e social, solidário no amor e seja fervoroso missionário&#8221; (292). Aqui se encontram indissoluvelmente unidas catequese e liturgia.</p>
<p><strong> </strong><strong>A </strong><strong>Metodologia do SINE propõe</strong></p>
<p>Um tempo de <strong>12 semanas, após o retiro querigmático</strong>. Assim: “havendo terminado o retiro de evangelização, nos três meses seguintes, em reunião semanal, serão apresentados e explicados os diferentes meios de perseverança e de crescimento: leitura e estudo da bíblia, como realizar e cumprir a catequese, vida e atos de oração pessoal e comunitária, e o que significa o carregar cada dia a cruz no seguimento de Jesus; a importância da comunidade e da vinculação à paróquia, a centralidade dos sacramentos, especialmente a Eucaristia&#8221; (Pe. Alfonso Navarro em Pastoral de Seguimento). Terminado esse tempo devem estar formadas as comunidades. <strong>Nas comunidades se dará a catequese permanente</strong>.</p>
<p>O modelo é o descrito em Atos 2,42 onde se delineiam os elementos essenciais da vida eclesial: o aprendizado vivo da doutrina dos Apóstolos, a comunhão fraterna, a oração comum, a Eucaristia, a solidariedade e a partilha. <strong><u>Essas comunidades serão missionárias</u></strong>, cada membro assumirá com outros a missão nas visitas permanentes e no planejamento das missões intensivas bem como, progressivamente, outras funções. <strong><em>A paróquia será, então, uma rede de comunidades</em></strong> a partir dos setores.</p>
<p>A <strong>Catequese permanente</strong> se dará sobretudo na pequena comunidade nas reuniões semanais como se pode ver pelo estudo da metodologia do SINE.</p>
<p>Sobre a <strong>catequese permanente</strong> o documento de Aparecida tem algumas observações importantes. Coloco duas: &#8220;os materiais e subsídios são com frequência muito variados e não se integram em uma pastoral de conjunto; e nem sempre são portadores de métodos pedagógicos atualizados&#8230; Os párocos e demais responsáveis não assumem com maior empenho a função que lhes corresponde como primeiros catequistas&#8221; (296); &#8220;A catequese não deve ser só ocasional, reduzida a momentos prévios aos sacramentos ou à iniciação cristã, mas sim <strong>itinerário catequético permanente. </strong>Por isso compete a cada Igreja Particular, com ajuda das Conferências Episcopais, estabelecer um processo catequético orgânico e progressivo que se estenda por toda a vida, desde a infância até à terceira idade, levando em consideração que o diretório Geral de Catequese considera a catequese com adultos como a forma fundamental da educação na fé&#8221; (298).</p>
<p><strong><em>É muito interessante a proposta do SINE que faz das pequenas comunidades nos setores o lugar dessa catequese viva que sempre de novo retoma o querigma em contexto de oração, de partilha fraterna e de solidariedade, </em></strong>para transformar a sociedade e a cultura &#8220;mediante o testemunho dos valores evangélicos&#8221; (NMI 29).</p>
<p><strong>Uma Igreja, casa e escola de comunhão</strong> só pode acontecer a partir de comunidades menores onde, de fato, seja possível uma intensa vida de oração, uma verdadeira catequese, uma autêntica partilha em torno dos avanços e das dificuldades de fazer o caminho bem como uma permanente avaliação do esforço missionário de anúncio e presença na sociedade. Daí a advertência do documento de Aparecida: &#8220;A conversão dos pastores &#8211; bispos, padres e diáconos &#8211; leva-nos também a viver e &#8216;promover uma espiritualidade de comunhão e participação propondo-a como princípio educativo em todos os lugares onde se forma o homem e o cristão, onde se educam os ministros do altar, as pessoas consagradas e os agentes de pastorais, onde se constroem as famílias e as comunidades&#8217; (NMI).</p>
<p>&#8220;A <strong>conversão pastoral</strong> requer que as comunidades eclesiais sejam comunidades de discípulos missionários ao redor de Jesus Cristo, Mestre e Pastor. Daí nasce a atitude de abertura, de diálogo e disponibilidade para promover a corresponsabilidade e participação efetiva de todos os fiéis na vida das comunidades cristãs. Hoje, mais do que nunca, o testemunho de comunhão eclesial e de santidade são uma urgência pastoral. A programação pastoral há de se inspirar no mandamento novo do amor&#8221; (cf. Jo 13,35; DA 368).</p>
<p>A <strong>metodologia do SINE</strong> tem na formação de pequenas comunidades um de seus fundamentos. Fazer da <strong><em>paróquia uma comunidade de comunidades</em></strong> deve ser o fruto do querigma acompanhado da catequese. Esta já acontece em comunidade e é, juntamente com a celebração da liturgia, a força de sua consolidação. <em>&#8220;A Paróquia é o corpo eclesial local, as pequenas comunidades são como as células desse corpo. A pertença estável e a participação comprometida são em última análise, a paróquia; porém, em e através das pequenas comunidades e com articulação dos setores geográficos&#8221;</em>. <strong><em>A proposta do SINE trabalha longamente como fazer essas comunidades, como devem elas viver e quais os conteúdos catequéticos indispensáveis para sua consolidação.</em></strong></p>
<p>Deverão com seu amadurecimento fortalecer a comunhão eclesial e o espírito e a ação missionária bem como formar os cidadãos para um mundo novo, inclusive com desenvolvimento de uma participação política eficaz, segundo os princípios da Doutrina Social da Igreja para transformar a sociedade e impregnar a cultura com os valores do evangelho é preciso que a Igreja na sua vida concreta seja casa e escola de comunhão. O Santo Padre, João Paulo II, afirmara: <em>&#8220;fazer da Igreja a casa e a escola da comunhão: eis o grande desafio que nos espera no milênio que começa, se quisermos ser fiéis ao desígnio de Deus e corresponder às expectativas mais profundas do mundo&#8221; </em>(NMI, 43).</p>
<p>Na vivência eclesial os cristãos aprenderão também como ser cidadãos, construtores da sociedade e forjadores de uma cultura onde imperem os valores da comunhão e da participação. Formar discípulos missionários é também formar cidadãos autênticos que haverão de entender seu trabalho no mundo como participação na construção do reino de Deus.</p>
<p>Por tudo isso que o Espírito está a sugerir-nos, através do documento de Aparecida, insisto que todos os sacerdotes, seminaristas e diáconos estudem a metodologia do SINE, pois ela se constitui em uma forma concreta, já testada na prática, de renovar as estruturas da Igreja a partir da paróquia. Em nossa</p>
<p><strong><em>A implantação da metodologia do SINE deve se fazer sem descurar ou abandonar a prática atual. Na medida em que se implantar esse processo e na medida em que ele se consolidar, tudo o que há de bom na prática pastoral da paróquia vai sendo assimilado sem nada perder de seu valor e eficácia</em></strong>.</p>
<p style="text-align: right;"><strong> </strong></p>
<p style="text-align: right;"><strong>Dom Eduardo Benes de Sales Rodrigues</strong></p>
<p style="text-align: right;"><strong>Arcebispo Emérito da Arquidiocese de Sorocaba</strong></p>
]]></content:encoded>
					
		
		
			</item>
		<item>
		<title>Do Concílio Vaticano II às nossas Diretrizes atuais (Jan/2012) &#8211; Dom Eduardo B. S. Rodrigues</title>
		<link>https://www.sinebrasil.com.br/2019/08/22/do-concilio-vaticano-ii-as-nossas-diretrizes-atuais-jan-2012-dom-eduardo-b-s-rodrigues/?utm_source=rss&#038;utm_medium=rss&#038;utm_campaign=do-concilio-vaticano-ii-as-nossas-diretrizes-atuais-jan-2012-dom-eduardo-b-s-rodrigues</link>
		
		<dc:creator><![CDATA[Sine]]></dc:creator>
		<pubDate>Thu, 22 Aug 2019 13:17:30 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Artigos]]></category>
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					<description><![CDATA[Do Concílio Vaticano II às nossas Diretrizes atuais &#8211; Janeiro de 2012 &#8211; Introdução “Nos dias 28 e 29 do mês de junho os presbíteros da Arquidiocese de Sorocaba com um grupo de leigos(as) catequistas se reuniram para aprofundar o significado da segunda urgência das Diretrizes Gerais da Ação Evangelizadora da Igreja no Brasil – [...]]]></description>
										<content:encoded><![CDATA[<p style="text-align: center;">Do Concílio Vaticano II às nossas Diretrizes atuais</p>
<p style="text-align: center;">&#8211; Janeiro de 2012 &#8211;</p>
<p><strong>Introdução</strong></p>
<p>“Nos dias 28 e 29 do mês de junho os presbíteros da Arquidiocese de Sorocaba com um grupo de leigos(as) catequistas se reuniram para aprofundar o significado da segunda urgência das Diretrizes Gerais da Ação Evangelizadora da Igreja no Brasil – DGAE: “Igreja: casa da iniciação à vida cristã”. A Carta Apostólica do Papa Bento XVI oferece com precisão o motivo por que a Igreja deve recolocar no centro de sua programação pastoral a Iniciação Cristã, como condição “sine qua” de uma presença significativa na vida da sociedade de nosso tempo. Assim se exprime o Santo Padre: “Sucede não poucas vezes que os cristãos sintam maior preocupação com as consequências sociais, culturais e políticas da fé do que com a própria fé, considerando esta como um pressuposto óbvio da sua vida diária. Ora, um tal pressuposto não só deixou de existir, mas frequentemente acaba até negado. Enquanto, no passado, era possível reconhecer um tecido cultural unitário, amplamente compartilhado no seu apelo aos conteúdos da fé e aos valores por ela inspirados, hoje parece que já não é assim em grandes setores da sociedade devido a uma profunda crise de fé que atingiu muitas pessoas (PF 2). A Cristandade, expressão com a qual se designa o tempo que, desde os inícios da Idade Média até o séc. XX, no ocidente a cultura estava impregnada pelos valores e pelas práticas religiosas cristãs, entrou em dissolução, emergindo uma cultura secularizada, marcada pelo avanço das ciências e pelo senso de autonomia do sujeito humano sempre mais cioso de sua liberdade. As reflexões que seguem devem nos motivar no empenho de buscar a conversão pastoral de nossa Igreja Particular.</p>
<p><strong>O Concílio Vaticano II</strong></p>
<p>O Concílio Vaticano II foi um momento de graça para a Igreja quando, respondendo à convocação do Papa João XXIII, os bispos de todo o mundo se colocaram em oração e procuraram, à luz da fé, descortinar caminhos para responder aos apelos de um mundo em acelerado processo de mudanças sociais e culturais. Na América latina os desafios que se colocavam para a Igreja provinham da situação de pobreza da maioria da população oprimida pela miséria e pela fome. O Concílio nos entregou quatro documentos fundamentais, chamados Constituições: a) a “Sacrosanctum Concilium”, sobre a Sagrada Liturgia; b) a “Dei Verbum”, sobre a Revelação Divina: c) a “Lumen Gentium”, sobre a Igreja; d) a “Gaudium et Spes”, sobre a Igreja no mundo atual. O Concílio quis ser eminentemente pastoral ocupado em oferecer aos cristãos as indispensáveis orientações para uma presença evangelizadora no mundo. Para tal retomou, em formulação nova, os elementos essenciais de nossa fé e procurou explicitar, sobretudo através dos documentos chamados decretos, os caminhos de renovação da vida eclesial. Uma avaliação do impacto de cada documento na vida da Igreja e de seus frutos há de ser feita nesses anos do jubileu do Concílio.</p>
<p><strong>Medellin: a luta pela justiça</strong></p>
<p>Nesta reflexão quero ressaltar que, na América Latina, a recepção do Concílio Vaticano II teve decisiva influência na tomada de posição da Igreja em relação aos graves problemas sociais que afligiam a vida de nosso povo. A Conferência de Medellin, produziu uma série de documentos, procurando aplicar na América latina as orientações do Concílio: I) Justiça, Paz, Família, Demografia, Educação, Juventude. II) Pastoral popular, Pastoral de elites, Catequese, Liturgia. III) Movimentos de Leigos, Sacerdotes, Religiosos, Formação do Clero, Pobreza da Igreja, Pastoral de Conjunto, Meios de Comunicação. O Papa Paulo VI se fez presente e, na ocasião, alertou para a tentação de recurso à violência como forma de promover a justiça social bem como à visão marxista da sociedade como ferramenta de interpretação da história. Os frutos da Conferência de Medellin se traduziram em forte acento na opção preferencial pelos pobres com a consequente busca de fazer do evangelho uma força libertadora das opressões por eles sofridas. Nesse contexto as Comunidades Eclesiais de Base se multiplicaram e ganharam força dentro da Igreja e da sociedade. A Teologia da Libertação se estruturou nesse contexto e se tornou para muitos simplesmente a Teologia. Houve teólogos que pensaram poder reinterpretar todo o conteúdo da revelação tendo como uma espécie de objeto formal a libertação social dos pobres. Tal pretensão se serviu posteriormente do enunciado do objetivo geral das Diretrizes Gerais da Ação (Pastoral) Evangelizadora no Brasil onde sempre de novo foi incluída a opção preferencial pelos pobres como a luz a iluminar a ação da Igreja: “à luz da opção preferencial pelos pobres”.  Na teologia a luz iluminadora da reflexão teológica, seu objeto formal é o próprio Deus que se revela em Cristo. Rigorosamente a opção preferencial pelos pobres não pode ser a luz iluminadora do processo da evangelização, embora deva sempre estar presente uma vez que como nos lembrou João Paulo II, “se verdadeiramente partimos da contemplação de Cristo, devemos saber vê-Lo sobretudo no rosto daqueles com quem Ele mesmo Se quis identificar: ‘Porque tive fome e destes-Me de comer, tive sede e destes-Me de beber; era peregrino e recolhestes-Me; estava nu e destes-Me de vestir; adoeci e visitastes-Me; estive na prisão e fostes ter Comigo’ (Mt 25,35-36). Esta página não é um mero convite à caridade, mas uma página de cristologia que projeta um feixe de luz sobre o mistério de Cristo. Nesta página, não menos do que o faz com a vertente da ortodoxia, a Igreja mede a sua fidelidade de Esposa de Cristo” (NMI 49).</p>
<p>Clodovis Boff percebeu com acuidade o risco de uma teologia que colocasse o pobre como luz do pensar teológico: “não vê que está aí confundindo dois sentidos de ‘ponto de partida’: como mero começo (material, temático, cronológico ou ainda prático) e como princípio (formal, hermenêutico, epistemológico ou ainda teórico). Ora, ‘pobre’ pode ser ‘ponto de partida’ como ‘começo’ (começo de conversa), mas não como ‘princípio’ (critério determinante)”.  Exageros à parte, Medellin se constituiu em um momento muito rico de abertura da Igreja, às vezes excessivamente clerical, para uma participação mais efetiva dos leigos na missão da Igreja, com especial atenção aos pobres, pensados também como  sujeito principal das grandes mudanças na Igreja e na sociedade. O Concílio convocou a Igreja a se colocar a serviço do mundo. Na América Latina o grande desafio era a justiça social. A maioria absoluta de nosso povo era constituida de católicos. Era urgente investir o capital da fé cristã na transformação da sociedade. A situação social e política – estávamos em 1968 – cobrava da Igreja posições firmes contra os regimes de exceção então dominantes e uma ação pastoral que visasse o engajamento político dos fiéis. As CEBs ganharam força e encarnaram o novo jeito da Igreja ser. As pastorais sociais se multiplicaram. A liturgia e a catequese passaram a expressar o novo modelo.</p>
<p><strong>Puebla: Comunhão e Participação</strong></p>
<p>O documento de Puebla (ano de 1979) “Evangelização no Presente e no Futuro da América latina”, fruto da Terceira Conferência Geral do Episcopado Latino-Americano, significou um passo adiante, com as devidas correções, na busca de novos caminhos para a evangelização na América latina. A Exortação Apostólica de Paulo VI “Evangelii Nuntiandi” (ano de1975) e a palavra de João Paulo II na abertura iluminaram os trabalhos da Terceira Conferência. João Paulo II foi categórico em afirmar a necessidade de anunciar: a) a verdade sobre Jesus Cristo, obscurecida por releituras insuficientes e distorcidas  do Evangelho; b) a verdade sobre a missão da Igreja; c) a verdade sobre o Homem. Nesse último ítem abordou a temática da libertação, prevenindo sobre posições que  tendiam a reduzir a libertação cristã a uma libertação puramente temporal, como já  havia advertido Paulo VI na Exortação Apostólica sobre a evangelização do mundo contemporâneo em 1975. O eixo teológico-pastoral que ilumina o documento de Puebla é o binômio “Comunhão e Participação”: “Depois da proclamação de Cristo que nos revela o Pai e nos dá seu Espírito, chegamos a desco­brir as raízes últimas de nossa comunhão e participação, revela-nos Cristo que a vida divina é comunhão trinitária. Pai, Filho e Espírito vivem, em perfeita inter-comunhão de amor, o mistério supremo da unidade. Daqui procede todo amor e toda comu­nhão, para a grandeza e dignidade da existência humana” (DP 211-219). E ainda: <strong>“</strong>Na América Latina, Deus nos chama para uma vida em Cristo Jesus. Urge anunciá-la a todos os irmãos. Esta missão incumbe à Igreja evangelizadora: pre­gar a conversão, libertar o homem e impulsioná-lo rumo ao mistério de comunhão com a Trindade e comunhão com todos os irmãos, transformando-os em agentes e cooperadores do desígnio de Deus” (DP 563). Reafirma-se no documento de Puebla a opção preferencial pelos pobres à qual se acrescenta uma segunda: a opção preferencial pelos jovens. Dentro do horizonte de “Comunhão e Participação”, tendo a Trindade como fonte e modelo, é que se desenvolvem as ricas e abrangentes orientações pastorais do documento que contribuiram de modo significativo para a evangelização de nosso Continente (cf. DP 211 a 219). O contexto social e político da América latina, entretanto, estava ainda muito marcado pela luta ideológica que atingia também a vida da Igreja, razão pela qual o documento trata da questão das ideologias e procura retomar o ensinamento de Paulo VI a respeito das relações entre evangelização e libertação, ressaltando a importância das pequenas comunidades – CEBs – e procurando definir-lhes sua identidade eclesial.</p>
<p>A doutrina da Segurança Nacional, criticada no documento de Puebla, justificava a continuidade do regime de exceção com o consequente atentado à dignidade da pessoa, exigindo da Igreja tomadas de posição enérgicas no sentido da defesa dos direitos humanos. A teologia da libertação,  em pleno vigor,  embora não tivesse conseguido ditar os rumos da Conferência de Puebla, continuou a exercer forte influência tanto na formação de presbíteros como de leigos. As Diretrizes Gerais da Ação Pastoral da Igreja no Brasil, tendo retomado em sua fundamentação teológica a profissão de fé de Puebla, expressaram, na formulação do objetivo geral, a finalidade do processo evangelizador assim: “visando à construção de uma sociedade mais justa e fraterna, anunciando assim o Reino definitivo”. A preocupação com a justiça social é, pois, colocada em primeiro plano e pela sua procura se dá testemunho do Reino definitivo que já atua no presente histórico. É necessário observar que a formulação do objetivo geral nunca consegue traduzir toda a riqueza do conjunto do documento, permitindo interpretações até mesmo divergentes. O significado de “EVANGELIZAR”, por exemplo, não aparece de forma suficientemente clara em seu enunciado.</p>
<p>O documento de Puebla, à luz da “Evangelii Nuntiandi”, é de extraordinária riqueza. Ouso afirmar que foi o que melhor traduziu para a América latina os propósitos do Concílio. Quero, entretanto, destacar a reflexão nele desenvolvida sobre “Evangelização e Cultura” assim introduzida: “Nova e valiosa contribuição pastoral da exortação Evangelii Nuntiandi está no chamado de Paulo VI a que se enfrente a tarefa da evangelização da cultura e das culturas” (EN 20). Paulo VI havia profetizado: “A ruptura entre o Evangelho e a cultura é sem dúvida o drama da nossa época, como o foi também de outras épocas. Assim, importa envidar todos os esforços no sentido de uma generosa evangelização da cultura, ou mais exatamente das culturas. Estas devem ser regeneradas mediante o impacto da Boa Nova. Mas um tal encontro não virá a dar-se se a Boa Nova não for proclamada”. Aqui se abriu um campo novo de reflexão que vai desembocar na Conferência de Santo Domingo (outubro de 1992). O tempo pós-Puebla significou, com os ensinamentos de João Paulo II, uma retomada das propostas do Concílio Vaticano II, onde a pessoa e o mistério de Cristo passam a ocupar o centro do empenho evangelizador da Igreja.  A queda do muro de Berlim com o consequente colapso do comunismo ajudou a compreender que a <u>justiça e a fraternidade não renovam as estruturas sociais sem passar pela mediação da cultura.</u> E não haverá uma cultura verdadeiramente humanizante sem homens novos. Voltamos a Paulo VI que afirmou: “Evangelizar, para a Igreja, é levar a Boa Nova a todas as parcelas da humanidade, em qualquer meio e latitude, e pelo seu influxo transformá-las a partir de dentro e tornar nova a própria humanidade: “Eis que faço de novo todas as coisas”. No entanto não haverá humanidade nova, se não houver em primeiro lugar homens novos, pela novidade do batismo e da vida segundo o Evangelho” (EN 18).</p>
<p><strong>Santo Domingo: evangelização da cultura</strong></p>
<p>A Conferência de Santo Domingo concentra a atenção em Jesus Cristo e afirma com João Paulo II a urgência de uma Nova Evangelização: “Nova Evangelização, Promoção Humana e Cultura Cristã”. E o anúncio é este: <strong>“Jesus Cristo ontem, hoje e sempre (Hb 13,8)” (Ano de 1992). O Papa João Paulo II insistiu: </strong>“A confissão da fé <em>– </em>“Jesus Cristo é sempre o mesmo: ontem, hoje e sempre” (Hb 13,8) – que é como o pano de fundo do tema desta IV Conferência, nos leva a recordar o seguinte versículo: “Não vos deixeis seduzir pela diversidade de doutrinas estranhas” (Hb 13,9). Vós, amados Pastores, deveis zelar sobretudo pela fé da gente simples que, em caso contrário, se veria desorientada e confundida” (discurso de João Paulo II). Ainda: “Por outra parte, os novos tempos exigem que a mensagem cristã chegue ao homem de hoje, mediante novos métodos de apostolado, e que seja expressada em uma linguagem e forma acessíveis ao homem latinoamericano, necessitado de Cristo e sedento do Evangelho: como tornar acessível, penetrante, válida e profunda a resposta ao homem de hoje, sem alterar ou modificar em nada o conteúdo da mensagem evangélica? Como chegar ao coração da cultura que queremos evangelizar? Como falar de Deus em um mundo em que está presente um processo crescente de secularização?” Houve quem visse em Santo Domingo um retrocesso em relação a Puebla. Não é verdade. Houve uma concentração no mistério de Cristo e a aguda percepção de que a insistência na transformação social estava levando a um descuido com o fundamental da experiência cristã, sem o qual a cultura fica privada da força transformadora do evangelho. Santo Domingo retoma o que há de melhor em Medellin e Puebla e procura libertar a prática Pastoral da Igreja na América latina de uma interpretação equivocada do processo evangelizador que fazia da transformação social a razão principal da proclamação do evangelho. Paulo VI já havia advertido sobre tal questão: “Não devemos esconder, entretanto, que numerosos cristãos, generosos e sensíveis perante os problemas dramáticos que se apresentam quanto a este ponto da libertação, ao quererem atuar o empenho da Igreja no esforço de libertação, têm frequentemente a tentação de reduzir a sua missão às dimensões de um projeto simplesmente temporal; os seus objetivos a uma visão antropocêntrica; a salvação, de que ela é mensageira e sacramento, a um bem-estar material; a sua atividade, a iniciativas de ordem política ou social esquecendo todas as preocupações espirituais e religiosas. No entanto, se fosse assim, a Igreja perderia o seu significado próprio. A sua mensagem de libertação já não teria originalidade alguma e ficaria prestes a ser monopolizada e manipulada por sistemas ideológicos e por partidos políticos” (cf. EN 32-38). Essa observação do Santo Padre, nós a constatamos sempre que nos surpreendemos querendo resolver os problemas da sociedade, prescindindo da missão primeira da Igreja que é o anúncio do querigma e a iniciação cristã dos néo-convertidos. Retomo a afirmação de Bento XVI já citada no início dessa reflexão: “Sucede não poucas vezes que os cristãos sintam maior preocupação com as consequências sociais, culturais e políticas da fé do que com a própria fé, considerando esta como um pressuposto óbvio da sua vida diária. Ora um tal pressuposto não só deixou de existir, mas frequentemente acaba até negado. Enquanto, no passado, era possível reconhecer um tecido cultural unitário, amplamente compartilhado no seu apelo aos conteúdos da fé e aos valores por ela inspirados, hoje parece que já não é assim em grandes setores da sociedade devido a uma profunda crise de fé que atingiu muitas pessoas” (n. 2).</p>
<p><strong> O Pontificado de João Paulo II</strong></p>
<p>Ao deslocar o foco dos desafios à evangelização da luta social para a cultura, a Igreja retoma com vigor a urgência de anunciar Jesus Cristo. O Pontificado de João Paulo II foi fortemente marcado pela pessoa e pelo mistério de Jesus. O Encontro com Cristo e o consequente mergulho na vida trinitária, com suas consequências históricas para a Igreja e para a construção da sociedade, foi tema recorrente no ensinamento do Papa João Paulo II. Basta percorrer os documentos promulgados durante seu pontificado. Esse foi seu programa assim anunciado na sua primeira encíclica “Redemptor Hominis”: “Entretanto, se as vias a seguir, para as quais o Concílio do nosso século orientou a Igreja, vias que nos indicou na sua primeira Encíclica o saudoso Papa Paulo VI, continuarem a ser exatamente as vias que nós todos devemos seguir, então podemos nesta nova fase interrogar-nos: Como? De que maneira será conveniente prosseguir? O que será necessário fazer, para que este novo advento da Igreja, conjugado com o já iminente fim do segundo Milênio, nos aproxime d&#8217;Aquele que a Sagrada Escritura chama ‘Pai perpétuo’, <em>Pater futuri saeculi</em>?”  Em seguida: “É precisamente aqui neste ponto, caríssimos Irmãos, Filhos e Filhas, que se impõe uma resposta fundamental e essencial, a saber: a única orientação do espírito, a única direção da inteligência, da vontade e do coração para nós é esta: na direção de Cristo, Redentor do homem; na direção de Cristo, Redentor do mundo. Para Ele queremos olhar, porque só n&#8217;Ele, Filho de Deus, está a salvação, renovando a afirmação de Pedro: ‘Para quem iremos nós, Senhor? Tu tens as palavras de vida eterna’”. O grande tema Exortação pós-sinodal “Ecclesia in America” foi: “O Encontro com Jesus Cristo vivo, caminho para a conversão, a comunhão e a solidariedade na América”. A Carta Apostólica NMI, 2001, não é outra coisa senão a reafirmação quase como mensagem final de seu pontificado, de tudo o que significou seu empenho de Pastor universal: a contemplação do rosto de Cristo para, partindo dele, em processo permanente de santificação, testemunhar no novo milênio o amor de Deus.</p>
<p><strong> Aparecida e nossas Diretrizes</strong></p>
<p><strong>O desafio: fazer discípulos</strong></p>
<p><strong> </strong> A Conferência de Aparecida propõe-nos exatamente esse caminho. Fazer discípulos missionários. O discípulo começa, não a partir de uma ideia, de uma decisão ética, da assimilação de uma doutrina, o discípulo nasce e cresce no encontro e na convivência com a pessoa de Jesus (cf. DA 243 e 244). Quando da proposta da temática: “Fazer discípulos e missionários de Cristo para que nossos povos tenham vida”, o Santo Padre, Bento XVI mandou colocar um “NELE” &#8211; Cristo -, pois Ele é “o caminho, a verdade e a vida”.</p>
<p>Vivemos hoje um momento em que temos muitas pastorais destinadas a responder aos problemas sociais e um número insuficiente de verdadeiros discípulos para assumi-las. A “mudança de época” coloca desafios novos para a Igreja. Donde a necessidade de formar verdadeiros discípulos de Jesus. Nesse sentido as atuais Diretrizes da Ação Evangelizadora da Igreja no Brasil indicam para nós o caminho para tornar realidade as propostas do documento de Aparecida.</p>
<p><strong> </strong><strong>Uma Igreja Missionária</strong></p>
<p><strong> </strong><strong>Uma Igreja em estado permanente de missão</strong>, presente e atuante no mundo, pressupõe que os batizados, a começar pelos ministros ordenados, a exemplo do apóstolo Paulo, estejam tomados pelo mistério de Cristo, vivendo-o na oração, na fração do Pão e na comunhão fraterna, de modo a poderem repetir com o documento de Aparecida: “conhecer Jesus é o melhor presente que qualquer pessoa pode receber; tê-lo encontrado foi o melhor que ocorreu em nossas vidas, e fazê-lo conhecido com nossa palavra e obras é nossa alegria” (n. 29). Por que e para que retomar com vigor a Iniciação Cristã tendo como paradigma a forma como ela se construiu nos inícios da vida da Igreja?  A resposta vem da própria realidade eclesial que estamos vivendo. E vem sob a forma de perguntas: onde está a maioria de nossos católicos, batizados em nossa Igreja, muitos dos quais fizeram a primeira comunhão, foram crismados e se casaram ou desejam se casar na Igreja? Qual a porcentagem de católicos que participa da missa dominical e da vida de nossas comunidades? Dos que participam da missa aos domingos, quantos estão engajados em alguma pastoral ou movimento da Igreja? Quantos estariam dispostos a esse engajamento se para tal forem chamados? Qual a influência que exercem na vida da sociedade? Sua presença gera a cultura da vida? Por que, sobretudo entre os pobres cresce a adesão às comunidades pentecostais oriundas do protestantismo?  E o mundo da política? Não é verdade que a maioria de nossos políticos foi batizada pela Igreja Católica? Quantos católicos entraram na política partidária a partir de sua experiência eclesial, ou sob a influência da fé, e permanecem fiéis, dando testemunho do evangelho no exercício de sua função pública? E que dizer da presença católica nas escolas e nas universidades? Paulo VI na “Evangelii Nuntiandi” já havia levantado perguntas semelhantes: “O que é que é feito, em nossos dias, daquela energia escondida da Boa Nova, suscetível de impressionar profundamente a consciência dos homens? Até que ponto e como é que essa força evangélica está em condições de transformar verdadeiramente o homem deste nosso século? Quais os métodos que hão de ser seguidos para proclamar o Evangelho de modo a que a sua potência possa ser eficaz?” (EN 4). As perguntas poderiam se multiplicar indefinidamente abordando todo o vasto campo da vida da sociedade e de suas instituições.</p>
<p><strong>A iniciação cristã</strong></p>
<p><strong> </strong>As DGAE dizem assim: “Esta é a razão pela qual cresce o incentivo <strong>à iniciação à vida cristã</strong>, ‘grande desafio que questiona a fundo a maneira como estamos educando na fé e como estamos alimentando a experiência cristã’. Trata-se, portanto, de ‘desenvolver, em nossas comunidades, um processo de iniciação à vida cristã que conduza a um encontro pessoal, cada vez mais profundo com Jesus Cristo’, atitude que deve ser assumida em todo o continente latino-americano e, portanto, também no Brasil. Este é um dos mais urgentes sentidos do termo <em>missão </em>em nossos dias. É o desafio de anunciar Jesus Cristo, recomeçando a partir dele, sem “dar nada como pressuposto ou descontado”. É preciso ajudar as pessoas a conhecer Jesus Cristo, fascinar-se por Ele e optar por segui-lo” (n. 40). Conhecer Jesus Cristo sempre mais, mistério inesgotável de graça e de amor. A constatação de que muitos católicos receberam os sacramentos da iniciação cristã sem terem sido iniciados de verdade na vivência do evangelho está a pedir um catecumenato pós-batismal, ou seja, uma iniciação existencial à vida da Igreja, começando pelo querigma e passando pelo processo de catequese onde os fundamentos da fé e a experiência do encontro com Cristo na Liturgia se tornem o Pão de cada dia, conduzindo a uma autêntica vida de comunidade e de presença no mundo. O documento de Aparecida mudou o foco da ação evangelizadora: trata-se de anunciar Jesus Cristo para fazer discípulos, sem o que não teremos nem inculturação, nem mais vida, nem transformação social rumo ao reino definitivo. As novas Diretrizes da Ação Evangelizadora da Igreja no Brasil são o belo fruto de todo um caminho que vem sendo feito pela Igreja no pós-concílio. Longe de afastar a Igreja da história e do compromisso com os pobres, a evangelização, tal como vem formulada nas atuais diretrizes, aumentará em qualidade e número os discípulos, verdadeiros missionários no coração do mundo. Quanto mais profundamente o fiel mergulha no mistério da comunhão eclesial, tanto mais sua presença no mundo é fonte de vida para os irmãos: “A construção da cidadania, no sentido mais amplo, e a construção de eclesialidade nos leigos, é um só e único movimento” (DA 215).</p>
<p><strong>Igreja, comunhão missionária</strong></p>
<p><strong> </strong><strong>A Eclesiologia de Comunhão</strong> é, no entender de João Paulo II, a que melhor traduz os ensinamentos do Vaticano II sobre a Igreja. Na Assembleia Extraordinária do Sínodo dos Bispos em 1985, em que foi avaliada a recepção do Concílio, João Paulo II ressaltou: “de modo particular neste Sínodo foi examinada a natureza da Igreja, enquanto é mistério e comunhão, isto é, koinonia” (n. 6). Em 1988, na Christifideles laici, exortação pós-sinodal sobre os fiéis leigos &#8211; o sínodo se deu em 1987 -, João Paulo II retoma o ensinamento do Sínodo de 1985: “ A eclesiologia da comunhão é a ideia central e fundamental nos documentos do Concílio: “A <em>Koinonia </em>&#8211; comunhão, fundada na Sagrada Escritura, é tida em grande honra na Igreja antiga e nas Igrejas orientais até aos nossos dias. Por isso, muito se tem feito desde o Concílio Vaticano II para que a Igreja como comunhão seja entendida de maneira mais clara e traduzida de modo mais concreto na vida. Que significa a complexa palavra ‘comunhão’? Trata-se fundamentalmente de comunhão com Deus por Jesus Cristo no Espírito Santo” (n. 19).</p>
<p>A Eclesiologia de Comunhão implica necessariamente a dimensão missionária: “Ora, a <em>comunhão gera comunhão </em>e reveste essencialmente a forma de <strong><em>comunhão missionária</em></strong><em>. </em>Jesus, de fato, diz aos Seus discípulos: ‘Não fostes vós que Me escolhestes; fui Eu que vos escolhi e <em>vos constituí para irdes e dardes fruto </em>e para que o vosso fruto permaneça’ (Jo 15,16). A comunhão e a missão estão profundamente ligadas entre si, compenetram-se e integram-se mutuamente, ao ponto de a comunhão representar a fonte e, simultaneamente, o fruto da missão: a comunhão é missionária e a missão é para a comunhão” (32). O documento de Aparecida assume decididamente essa compreensão no seu capítulo V, onde descreve “a comunhão dos discípulos missionários na Igreja”.</p>
<p><strong>O círculo virtuoso das urgências</strong></p>
<p><strong> </strong>Nossas atuais Diretrizes da Ação Evangelizadora condensam de maneira objetiva aquilo que é a missão essencial da Igreja, colocando nas urgências os passos do processo evangelizador, que devem ser pensados como formando um<span style="background-color: #ffffff;"> <strong>círculo virtuoso</strong>: missão-anúncio, iniciação (inserção na comunhão eclesial), comunidades concretas (visibilização da comunhão) e missão-serviço à vida plena (testemunho acompanhado do anúncio explícito). Tocadas pelo testemunho e pelo anúncio querigmático haverá outras pessoas que passarão pelo processo de iniciação, e, inseridas na comunidade, se tornarão por sua vez discípulas e testemunhas a serviço da vida plena. <strong>O processo integral é alimentado pela Palavra, que deve animar toda a vida da Igreja</strong>. Aqui não se trata de prioridades, trata-se da Prioridade, ou seja, da tarefa essencial da Igreja.</span></p>
<p><span style="background-color: #ffffff;"> <span style="color: #d83131;"><strong>A urgência de implantar esse processo na prática da Igreja é, sem dúvida, um apelo do Espírito. Imaginemos uma Paróquia em que um grupo de pessoas, já participantes da vida da Igreja, refaçam a experiência do encontro com Cristo pela acolhida do querigma, “fio condutor de um processo que culmina na maturidade do discípulo de Cristo” (DA 278) e que, em razão dessa experiência se disponha a formar uma pequena comunidade de vida, que se reúne periodicamente para orar, aprofundar o conhecimento da fé e partilhar as experiências de vida. Imaginemos os membros dessa comunidade assumindo a tarefa da visitação mensal em um determinado setor da paróquia, em espírito de solidariedade e com a disposição de oportunamente anunciar Jesus. Imaginemos que muitas, ou algumas pessoas, se interessem pela vida cristã e se disponham a viver a mesma experiência, formando assim uma nova pequena comunidade que faça a experiência da comunhão eclesial e cujos membros comecem em outro setor da paróquia a visitação missionária. Imaginemos esse processo caminhando lenta e firmemente, superando os inevitáveis obstáculos que se colocam no caminho dos operários do Reino, e, então poderemos sonhar com a construção de uma Igreja de discípulos missionários, comunidade de comunidades, a serviço da vida plena, para a glória de Deus e a salvação do mundo. Esse é o caminho proposto pelo documento de Aparecida e pelas nossa Diretrizes da Ação Evangelizadora.</strong></span></span></p>
<p><strong>O Sínodo para a Nova Evangelização e o Ano da Fé</strong></p>
<p><strong> </strong>O Sínodo sobre a Nova Evangelização – a transmissão da Fé – e o Ano da Fé, proclamado pelo “Motu Proprio Porta Fidei”, insistem no mesmo tema. A razão dessa retomada vem assim expressa em texto acima citado e que proponho de novo no final dessas reflexões: “Sucede não poucas vezes que os cristãos sintam maior preocupação com as consequências sociais, culturais e políticas da fé do que com a própria fé, considerando esta como um pressuposto óbvio da sua vida diária. Ora, um tal pressuposto não só deixou de existir, mas frequentemente acaba até negado. Enquanto, no passado, era possível reconhecer um tecido cultural unitário, amplamente compartilhado no seu apelo aos conteúdos da fé e aos valores por ela inspirados, hoje parece que já não é assim em grandes setores da sociedade devido a uma profunda crise de fé que atingiu muitas pessoas” (n. 2).</p>
<p><strong> Conclusão</strong></p>
<p><strong> </strong>A Igreja de Sorocaba quer responder ao aos apelos de Deus, por isso ora ao Senhor:</p>
<p><strong>“Senhor Jesus, conhecer-Te é o melhor presente que qualquer pessoa pode receber; encontrar-Te foi o melhor que aconteceu em nossas vidas; tornar-Te conhecido com nossa palavra e obras é nossa alegria (DA 29). Faze, Senhor, que pela ação do Espírito Santo, a Tua Verdade seja nossa Vida e que anunciar-Te e Te fazer conhecido seja, de fato, nossa alegria. Nossa Senhora da Ponte, fica conosco e contagia-nos com o amor de teu Filho, para que sejamos também comunidade missionária, sinal desse amor para nossos irmãos e irmãs de humanidade, aqui nesse chão de Sorocaba, que nasceu e cresceu sob tua proteção! Amém”.</strong></p>
<p><strong> </strong></p>
<p style="text-align: right;">                                                                                   Dom Eduardo Benes de Sales Rodrigues</p>
<p style="text-align: right;">                                                                                        Arcebispo de Sorocaba</p>
<p style="text-align: right;">
]]></content:encoded>
					
		
		
			</item>
		<item>
		<title>Sistema Integral da Nova Evangelização &#8211; Dom Nelson Westrupp</title>
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		<dc:creator><![CDATA[Sine]]></dc:creator>
		<pubDate>Thu, 22 Aug 2019 13:00:07 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Artigos]]></category>
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					<description><![CDATA[Sistema Integral da Nova Evangelização – SINE &#160; O SINE teve início no México com o Pe. Alfonso Navarro Castellano, por volta de 1976. Chegou ao Brasil no ano de 1998, estabelecendo Sede, como escritório nacional, aqui em São José dos Campos. O desafio é colocar em etapas lógicas e sucessivas a oferta integral de [...]]]></description>
										<content:encoded><![CDATA[<p style="text-align: center;"><strong>Sistema Integral da Nova Evangelização – SINE</strong></p>
<p>&nbsp;</p>
<p>O SINE teve início no México com o Pe. Alfonso Navarro Castellano, por volta de 1976.</p>
<p>Chegou ao Brasil no ano de 1998, estabelecendo Sede, como escritório nacional, aqui em São José dos Campos.</p>
<p>O desafio é colocar em etapas lógicas e sucessivas a oferta integral de vida cristã: kerigma, catequese permanente a partir das próprias paróquias.</p>
<p>O SINE abre e realiza o caminho para o surgimento de uma paróquia que seja, realmente, comunidade de comunidades em comunhão entre si e em permanente estado de missão.</p>
<p>O Ano do Laicato, recém-concluído, teve como um dos objetivos colocar os agentes pastorais em atitude constante de “saída”, para “não se cair vítima de uma espécie de introversão eclesial’’ (Ecclesia in Oceania, n. 19).</p>
<p>Ainda não se superou o medo ou a falta de ousadia evangelizadora no que diz respeito à “autopreservação”.</p>
<p>Medo do “novo”, de mudar estruturas pastorais / evangelizadoras, da conversão pastoral, do “hoje de Deus” (EG, 27).</p>
<p>A conversão missionária caminha lentamente&#8230; Nem sempre procuramos estar onde fazem mais falta a luz e a vida do Ressuscitado (cf. EG, 30). Até onde chega nossa preocupação por anunciar Cristo nos lugares mais necessitados?</p>
<p>A paróquia continuará a ser “a própria Igreja que vive no meio das casas de seus filhos e de suas filhas (Christifideles laici, 26; cf. EG, 30).</p>
<p>Tornar a paróquia mais próxima das famílias, das pessoas&#8230; A paróquia começa na igreja doméstica&#8230;</p>
<p>Grande preocupação do SINE foi e será: viabilizar, semear e cultivar as Sementes do Verbo, levar a luz do Evangelho onde ainda não chegou&#8230; Daí a necessidade de se insistir sobre a integralidade e articulação da Missão e da Pastoral; do seguimento e discipulado; catequese permanente; iniciação à vida cristã e acompanhamento; ação social promocional.</p>
<p>Engajamento e comprometimento com a ação evangelizadora.</p>
<p>Os membros da comunidade eclesial são todos diferentes. O importante é servir, colocar-se a serviço da construção de uma comunidade harmoniosa. As pedras da construção da comunidade eclesial são de todos os tamanhos e feitios. Sejam pedras vivas. Aceitem servir, sem exigir lugar especial para serem colocadas&#8230;</p>
<p>A comunidade paroquial pertence a Cristo. Ele é o Seu alicerce, a Pedra Angular. As colunas são o Seu amor por nós. Verdadeira comunidade eclesial é feita de união, fraternidade, partilha, comunhão de espírito.</p>
<p>Com o Espírito de Unidade ao nosso lado, fica mais fácil ser testemunha qualificada de comunhão e participação.</p>
<p>Ser verdadeiro discípulo missionário exige o vínculo efetivo e afetivo com a comunidade de fé à qual se pertence (cf. EN, 16).</p>
<p>A unidade e a participação de todos, em meio à diversidade de dons, serviços, carismas e ministérios, testemunha o amor trinitário do Pai, pelo Filho, no Espírito Santo (ibidem).</p>
<p>O discípulo missionário de Jesus vive sua fé em comunidade (cf. 1 Pd 2, 9-10), em “íntima união ou comunhão das pessoas entre si e delas com Deus Trindade” (DGAE, 55).</p>
<p>Sem vida em comunidade, não há como efetivamente viver a proposta cristã. Comunhão e participação “implica” convívio, vínculos profundos, afetividade, interesses comuns e solidariedade nos sonhos, nas alegrias e nas dores (ibidem). Uma comunidade cristã viva e dinâmica deve ser capaz de oferecer a seus membros uma real experiência “de discípulos missionários de Jesus Cristo, em comunhão” (cf. ibidem, 56). Grande é o desafio da educação para a “vivência da unidade na diversidade”. Quanto maior for a comunhão, tanto mais autêntico e eficaz será o testemunho da Comunidade.</p>
<p>Nossa Senhora, “Estrela e Mãe da Nova Evangelização”, nos acompanhe e nos abençoe pelas estradas da missão.</p>
<p style="text-align: right;">Dom Nelson Westrupp, scj</p>
<p style="text-align: right;">Bispo Emérito de Santo André</p>
<p style="text-align: right;">são José dos Campos, 15 de dezembro de 2019</p>
]]></content:encoded>
					
		
		
			</item>
		<item>
		<title>O que é Missão Integral</title>
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		<dc:creator><![CDATA[Sine]]></dc:creator>
		<pubDate>Fri, 14 Jun 2019 14:21:41 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Artigos]]></category>
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					<description><![CDATA[O QUE É MISSÃO INTEGRAL             Partindo da realidade que nos apontam os documentos da Igreja, na América Latina tem-se “um catolicismo popular debilitado por insuficiente evangelização” (cf. DP 444.457.461), o que gera, para a Igreja, uma “alta porcentagem de católicos sem a consciência de sua missão de ser sal e fermento no mundo, com [...]]]></description>
										<content:encoded><![CDATA[<p style="text-align: center;"><strong><em><u>O QUE É MISSÃO INTEGRAL</u></em></strong></p>
<p>            Partindo da realidade que nos apontam os documentos da Igreja, na América Latina tem-se “<strong><em>um catolicismo popular debilitado por insuficiente evangelização</em></strong>” (cf. DP 444.457.461), o que gera, para a Igreja, uma “<strong><em>alta porcentagem de católicos sem a consciência de sua missão de ser sal e fermento no mundo, com identidade cristã fraca e vulnerável</em></strong><em>. <u>Isto constitui grande desafio que questiona a fundo a maneira como estamos educando na fé e como estamos alimentando a experiência cristã</u></em>” (DA 287).</p>
<p>“<em>Encontramo-nos, hoje, diante de uma situação religiosa bastante diversificada e mutável: os povos estão em movimento; certas realidades sociais e religiosas, que, tempos atrás, eram claras e definidas, hoje evoluem em situações complexas. Basta pensar em fenômenos como: o urbanismo, &#8230; a descristianização de países com antiga tradição cristã&#8230;, o pulular de messianismos e de seitas religiosas. É uma alteração tal que se torna difícil aplicar, em concreto, certas distinções e categorias eclesiais a que estávamos habituados</em>” (RM 32).</p>
<p>Em Evangelii Gaudium, o Papa Francisco nos ajuda a refletir, como que buscando soluções às realidades atuais: <em>“<strong><u>o todo é mais do que a parte, sendo também mais do que a simples soma delas.</u></strong>.. A nós cristãos, este princípio fala-nos também da totalidade ou da <strong><u>integralidade do Evangelho</u></strong> que a Igreja nos transmite e nos envia a pregar&#8230; <strong><u>O Evangelho possui um critério de totalidade que lhe é intrínseco</u></strong>&#8230;” </em>(237).</p>
<p>Sendo assim, é de fundamental importância buscarmos o sentido da integralidade começando pela palavra “<strong>EVANGELIZAÇÃO</strong>” que, hoje, inclui a totalidade da Missão da Igreja.</p>
<p>O termo “Evangelização” é atualmente muito elástico, equivocado e ambíguo. Todos falam de evangelização, todos dizem estar evangelizando, porém dão muitas definições diferentes dela, ou estão fazendo coisas totalmente distintas a título de Evangelização.</p>
<p>É urgente para a Igreja esclarecer e precisar o que significa Evangelização, para cumprir a integralidade de sua Missão.</p>
<p>No Lineamenta de Evagelii Nuntiandi aparecem os diversos significados da expressão “Evangelização”:</p>
<ol>
<li>No Novo Testamento, Evangelização é sinônimo de <strong><u>Querigma</u></strong>.</li>
<li>No Concílio, ampliou-se o significado de Evangelização, entendendo-se como todo o <strong><u>Ministério Profético ou da Palavra</u></strong>.</li>
<li>No sínodo de 1974 e logo depois em Evangelii Nuntiandi se afirma: <em>“Hoje entendemos por Evangelização <strong><u>toda a missão da Igreja</u></strong>, pela qual anuncia-se, implanta-se e estende-se o Reino de Deus”.</em></li>
<li><strong><u>Transformação Social</u></strong> que coincida com os desígnios de Deus.</li>
</ol>
<p>Para se cumprir a <strong>INTEGRALIDADE</strong> da Missão da Igreja, identificada por João Paulo II como “<strong>Nova Evangelização</strong>”, é necessário compreender e cumprir os quatro significados da palavra Evangelização, porém em ordem, e começando pelo Querigma, já que as três primeiras são includentes e a quarta é uma consequência que se deve buscar e se dará normalmente ao se cumprir a tarefa da Igreja de forma integral.</p>
<p>Para alcançarmos o que se entende por “Nova Evangelização”, o próprio Papa João Paulo II, que criou essa expressão, a explica em Redemptoris Missio 33:</p>
<p><em> </em><em>“As diferenças de atividade, no âmbito da única missão da Igreja, nascem, não de motivações intrínsecas à própria missão, mas de diversas circunstâncias onde ela se exerce. Olhando o mundo de hoje, sob o ponto de vista da evangelização, podemos distinguir três situações distintas:</em></p>
<ol>
<li><strong><em> <u>Missão</u></em></strong><em>: antes de mais nada temos aquela à qual se dirige a atividade missionária da Igreja: povos, grupos humanos, contextos socioculturais onde Cristo e o seu Evangelho não são conhecidos e onde faltam comunidades cristãs suficientemente amadurecidas.</em></li>
<li><strong><em> <u>Pastoral</u></em></strong><em>: onde há comunidades cristãs, com fé e vida fervorosas que dão testemunho do Evangelho de maneira irradiante em seu meio e com sólidas e adequadas estruturas eclesiais.</em></li>
<li><strong><em> <u>Nova Evangelização</u></em></strong><em>: como <strong>situação intermediária </strong>nos países de antiga tradição cristã, mas, por vezes, também nas Igrejas mais jovens, onde grupos inteiros de batizados perdem o sentido da fé viva, até o ponto de não se reconhecerem mais membros da Igreja, levando uma existência afastada de Cristo e de seu Evangelho”.</em></li>
</ol>
<p>A expressão “Nova Evangelização”, criada por João Paulo II e oficializada por Bento XVI com a criação do “Pontifício Conselho para a Promoção da Nova Evangelização”, propõe o cumprimento integral da Missão da Igreja que não é, simplesmente, a soma das situações anteriores, mas, a descoberta do sentido profundo de cada uma delas como situações distintas, porém, fundamentalmente sucessivas, onde a Igreja precisa cumprir, com todos e com cada um, indistintamente, em primeiro lugar, sua dimensão Missionária, ou seja, levar cada pessoa a começar ou recomeçar a partir de Cristo (cf. DA 12), com a oferta querigmática, como nos ajuda a compreender o Documento de Aparecida:</p>
<p>&#8211; “<em>Nossa maior ameaça ‘é o medíocre pragmatismo da vida cotidiana da Igreja, na qual, aparentemente tudo procede com normalidade, mas na verdade, a fé vai se desgastando e degenerando em mesquinhez’. <strong><u>A todos nos toca recomeçar a partir de Cristo</u></strong>, reconhecendo que ‘não se começa a ser cristão por uma decisão ética ou uma grande ideia, mas pelo encontro com um acontecimento, com um Pessoa, que dá um novo horizonte à vida e, com isso, uma orientação decisiva&#8230;. <strong><u>Ele é o Filho de Deus verdadeiro, o único Salvador da humanidade</u></strong>. A importância única e insubstituível de Cristo para nós, para a humanidade, consiste em que Cristo é o Caminho, a Verdade e a Vida. <strong>Se não conhecemos a Deus em Cristo e com Cristo, toda a realidade se torna um enigma indecifrável; não há caminho e, não havendo caminho, não há vida nem verdade</strong>’. No clima cultural relativista que nos circunda se faz sempre mais importante e <strong><u>urgente enraizar e fazer amadurecer, em todo corpo eclesial, a certeza de que Cristo, o Deus de rosto humano, é nosso verdadeiro e único Salvador</u></strong></em> (querigma)” (DA 12;22).</p>
<p>“<em>Encontramo-nos diante do <strong>desafio de revitalizar nosso modo de ser católico e nossas opções pessoais pelo Senhor</strong>, para que a fé cristã se enraíze mais profundamente no coração das pessoas e dos povos latino-americanos como acontecimento fundante e encontro vivificante com Cristo” </em>(DA 13).</p>
<p>Cumprida a Missão, tem que haver um <strong>seguimento Pastoral</strong> com a oferta de todos os seus elementos essenciais, como um processo natural para a continuidade da vida cristã, porque nos dirigimos, em primeiro lugar, a católicos já batizados. Isso não é classificação conceitual, mas realidade viva e latente no cumprimento concreto da Missão da Igreja.</p>
<p>A Missão da Igreja deve ser completa, onde tudo esteja presente, porque “<strong><em>a Igreja está a serviço de todos os seres humanos, filhos e filhas de Deus</em></strong>” (DA 32), porque “<strong><em>desejamos que</em></strong><em> <strong>a alegria</strong> que recebemos no <strong>encontro com Jesus Cristo</strong>, a quem reconhecemos como Filho de Deus encarnado e Redentor, <strong>chegue a todos os homens e mulheres</strong> feridos pelas adversidades; <strong>desejamos que a alegria da Boa Nova</strong> do Reino de Deus, de Jesus Cristo vencedor do pecado e da morte, <strong>chegue a todos</strong> quantos jazem à beira do caminho, pedindo esmola e compaixão</em> (cf. Lc 10,29-37;18,25-43)” (DA 29). Daí a importância de revermos essa integralidade sob diversos aspectos, para compreendermos que “<strong><em><u>o todo é mais do que a parte</u></em></strong>” (EG 237) e que a integralidade vem antes das prioridades. O que, então, significa cumprir a integralidade da Missão da Igreja com relação aos seus:</p>
<p><strong><u>Destinatários</u></strong>: significa <strong><u>IR A TODOS</u></strong>.</p>
<p>“<strong><em><u>Todos tem o direito de receber o Evangelho</u></em></strong><em>. Os cristãos têm o dever de anunciá-lo, sem excluir ninguém, e não como quem impõe uma nova obrigação, mas como quem partilha uma alegria&#8230; </em>” (EG 14).</p>
<p>“<em>A Igreja nasce da missão e existe para a missão. Existe para os outros e <strong><u>precisa</u></strong><u> <strong>ir a todos</strong></u></em>” (DGAE 76).</p>
<p>“<em>Muitas vezes, agimos como controladores da graça, e não como facilitadores. A Igreja, porém, não é uma alfândega, mas a casa paterna, onde há lugar para todos com a sua vida fadigosa. Se a Igreja inteira assume esse dinamismo missionário, há de <strong><u>chegar a todos</u></strong> sem exceção” </em>(EG 47-48).</p>
<p>Todos como destinatários e não somente os que estão dentro. Para isso, se faz indispensável, na Missão da Igreja, a <strong><u>Saída Missionária</u></strong>. <strong><em>“Estamos num tempo de urgente saída” </em></strong>(DGAE 31), Igreja em permanente estado de missão que atinge os que estão dentro, mas se preocupa e trabalha para buscar os que estão fora, a começar pelos que ela mesma batizou e hoje se encontram como afastados da fé cristã. Sair significa ir buscar e alcançar as pessoas onde elas estão, onde vivem, onde trabalham. <strong>“<em>A Igreja <u>‘em saída’</u> é uma Igreja com as portas abertas</em>” </strong>(EG 28).</p>
<p><strong>         </strong><em>“&#8230; Hoje <strong>todos somos chamados a essa nova <u>‘saída’ missionária</u></strong>&#8230; Todos somos convidados a aceitar esta chamada: sair da própria comodidade e ter a coragem de alcançar todas as periferias que precisam da luz do Evangelho” </em>(EG 20).</p>
<p><strong><em>                </em></strong><em>“Saiamos, saiamos para oferecer a todos a vida de Jesus Cristo!&#8230; <strong><u>Prefiro uma Igreja acidentada, ferida e enlameada por ter saído pelas estradas</u>,<u> a uma Igreja enferma pelo fechamento</u></strong> e a comodidade de se agarrar às próprias seguranças&#8230;” “Mais do que o temor de falhar, <u>espero que nos mova o medo de nos encerrarmos</u> nas estruturas que nos dão uma <u>falsa proteção</u>, nas normas que nos transformam em <u>juízes implacáveis</u>, nos hábitos em que nos sentimos tranquilos, enquanto lá fora há uma multidão faminta e Jesus repete-nos sem cessar:  ‘<strong><u>Dai-lhes vós mesmos de comer’</u></strong>” </em>(EG 49).</p>
<p>“<em>João Paulo II convidou-nos a reconhecer ‘que não se pode perder a tensão para o anúncio’ àqueles que estão longe de Cristo, ‘porque esta é a <strong><u>tarefa primária da Igreja</u>’</strong>”. A <strong>atividade missionária ‘ainda hoje representa o <u>máximo desafio</u> para a Igreja’</strong> e ‘<strong>a <u>causa missionária</u> <u>deve ser a primeira</u> de todas as causas</strong>’”. “Que sucederia se tomássemos realmente a sério essas palavras? Simplesmente, reconheceríamos que <strong><u>a ação missionária é o</u> <u>paradigma de toda a obra da Igreja</u></strong></em><strong>” </strong>(EG 15).</p>
<p><strong>            </strong>“<em>Espero que todas as comunidades se esforcem por atuar os meios necessários para avançar no caminho de uma <strong><u>conversão pastoral e missionária</u></strong>, que não podem deixar as coisas como estão. Neste momento não nos serve uma simples administração. Constituamo-nos em ‘<strong><u>estado permanente de missão’</u></strong> em todas as regiões da terra</em>” (EG 25).</p>
<p><strong><u>Objetivo</u></strong>: chegar <strong><u>AO HOMEM TODO</u></strong></p>
<p>A Missão da Igreja precisa alcançar a todas as situações do ser humano: indivíduo, família, comunidade, sociedade, estruturas e sistemas sociais. O religioso e o social; o eclesial e o temporal.</p>
<p><strong>            </strong><em>“Toda autêntica missão unifica a preocupação pela dimensão transcendente do ser humano e por todas as suas necessidades concretas, para que todos alcancem a plenitude que Jesus Cristo oferece”</em> (DA 176).</p>
<p><strong><u>Agentes</u></strong>: <strong><u>ENVOLVER TODOS</u></strong></p>
<p>A Igreja inteira é missionária e a tarefa de evangelizar é de todo o Povo de Deus. Unidade de missão, diversidade de tarefas e ministérios. Todos apostolicamente ativos e comprometidos. <em>“<strong><u>Todos os membros da comunidade paroquial</u> são responsáveis pela evangelização dos homens e mulheres em cada ambiente</strong>” </em>(DA 171).</p>
<p>O leigo precisa ir sendo formado dentro da amplitude do significado da palavra “Evangelização”, para que com essa visão possa compreender que a missão de evangelizar é de todos os batizados e não de alguns com carismas próprios ou especiais. “<em>Por meio de todas as suas atividades, <strong>a paróquia incentiva e forma os seus membros para serem agentes da evangelização</strong></em>” (EG 28).</p>
<p><strong>            </strong>“<strong><em>Urge aos pastores ‘abrir espaços de participação aos leigos</em></strong><em> e confiar-lhes ministérios e responsabilidades, para que todos na Igreja vivam de maneira responsável seu compromisso cristão’</em>” (DGAE 104a).</p>
<p><strong><u>Conteúdo</u></strong>: <strong><u>DAR TUDO</u></strong></p>
<p>É necessário, para o cumprimento integral da Missão da Igreja, oferecer um caminho concreto de vida cristã, com possibilidade para todos na extensão do Reino de Deus.</p>
<p>Dar a integralidade no que diz respeito ao conteúdo, implica oferecer, de forma ordenada, todos os elementos e passos primeiro da Missão e, em seguida, da Pastoral da Igreja, em suas dimensões profética, sacerdotal e régia:</p>
<p>&#8211; <strong><u>Profética</u></strong>: todo o Ministério da Palavra como processo dinâmico em etapas. As básicas: Querigma, Catequese e Teologia.</p>
<p>&#8211; <strong><u>Sacerdotal</u></strong> ou de santificação: toda a vida oracional, cultual, litúrgica e sacramental.</p>
<p>&#8211; <strong><u>Régia</u></strong>: dimensão que tem que subdividir-se e distinguir-se em dois aspectos:</p>
<p>&#8211; <strong>Cristo – Pastor</strong>: que congrega o rebanho, constrói a comunhão e edifica a comunidade.</p>
<p>&#8211; <strong>Cristo – Rei</strong>: que impulsiona a justiça na caridade: a dimensão social.</p>
<p>O mandato e a tarefa:</p>
<p>“<strong><u>CUMPRIR INTEGRALMENTE A MISSÃO E A PASTORAL DA IGREJA, </u></strong><strong>em todas as suas dimensões</strong>”, já que “<em>na Sua vinda, [Cristo] trouxe consigo toda a novidade. Com sua novidade, Ele pode sempre renovar a nossa vida e a nossa comunidade [congregação e paróquia], e <strong><u>a proposta cristã</u></strong>, ainda que atravesse períodos obscuros e fraquezas eclesiais, <strong><u>nunca envelhece</u></strong></em>” Papa Francisco (EG 11).</p>
<p><strong> </strong></p>
<p><strong> </strong></p>
]]></content:encoded>
					
		
		
			</item>
		<item>
		<title>O Conteúdo Querigmático</title>
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		<dc:creator><![CDATA[Sine]]></dc:creator>
		<pubDate>Fri, 14 Jun 2019 14:04:28 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Artigos]]></category>
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					<description><![CDATA[O Conteúdo Querigmático: Papa Francisco como Kairós na Igreja             “A Exortação Apostólica Evangelii Nuntiandi&#8230; frisava bem que a evangelização, cuja finalidade é levar a Boa Nova a toda a humanidade, a fim de que esta a viva &#8211; é uma realidade rica, complexa e dinâmica, constituída por elementos ou, se preferir, de momentos, essenciais [...]]]></description>
										<content:encoded><![CDATA[<p style="text-align: center;"><strong><em>O Conteúdo Querigmático: Papa Francisco como Kairós na Igreja</em></strong></p>
<p>            “<em>A Exortação Apostólica Evangelii Nuntiandi&#8230; frisava bem que a evangelização, cuja finalidade é levar a Boa Nova a toda a humanidade, a fim de que esta a viva &#8211; <strong>é uma realidade rica, complexa e dinâmica</strong>, constituída por <strong>elementos</strong> ou, se preferir, de <strong>momentos, essenciais e diferentes entre si, que é preciso saber abranger com uma visão de conjunto, na unidade de um único movimento</strong>” </em>(CT 18).</p>
<p>A melhor forma de visualizarmos esse processo dinâmico e seus elementos ou etapas é partindo da definição do Concílio Vaticano II sobre a palavra Evangelização, como Ministério Profético ou da Palavra na Igreja, divido em três etapas:</p>
<p>&#8211; 1ª etapa: <strong>querigma</strong> – Primeiro Anúncio ou pregação missionária.</p>
<p>&#8211; 2ª etapa: <strong>catequese</strong> – Formação bíblica básica.</p>
<p>&#8211; 3ª etapa: <strong>teologia</strong> – Formação bíblica científica.</p>
<p>&#8211; No marco litúrgico: Homilia.</p>
<p><strong><u>O Conteúdo do Querigma</u></strong></p>
<p>Para se compreender o conteúdo da mensagem Querigmática, embora ainda haja muita mescla, é fundamental partimos da distinção deste conteúdo em relação ao conteúdo catequético já estabelecido e organizado na tarefa da Igreja.</p>
<p>“<em>Antes de mais nada, convém recordar que <strong>entre a Catequese e a Evangelização (querigma) não existe separação nem oposição, como também não há identificação pura e simples, </strong>mas existem sim relações íntimas de integração e de complementaridade recíproca</em>” (CT18). “<em>A finalidade da Catequese corresponde ao período em que o cristão, <strong>depois</strong> <strong>de ter <u>aceitado pela fé a Pessoa de Jesus Cristo como único Senhor e após ter lhe dado uma adesão global, por uma sincera conversão do coração</u></strong> </em>[fruto da mensagem querigmática], <em>se esforça por melhor conhecer o mesmo Jesus Cristo, ao qual se entregou</em> [fruto do conteúdo catequético]” (CT 20).</p>
<p>Mediante a clarificação de conceitos é importante reafirmar que querigma é muito diferente de catequese. E o que torna explícito essa diferença é o próprio significado:</p>
<p>&#8211; <strong>Querigma</strong>: palavra grega que significa anúncio, proclamação &#8211; “o querigma é o anúncio do Nome, do ensinamento, da vida, das promessas, do Reino e do mistério pascal de Jesus de Nazaré, Filho de Deus (cf. EN 22)” (Subsídios Doutrinais 4 &#8211; 18). É anunciar Jesus Cristo vivo e todos os seus atos de salvação como um acontecimento atual.</p>
<p>&#8211; <strong>Catequese</strong>: (até o segundo século chamada Didaquê) é ensino, instrução doutrinal básica, elementar, porém completa, que corresponde a uma iniciação cristã integral sem chegar a desenvolvimentos teológicos e nem a exegese bíblica científica (cf. CT 21).</p>
<p>Para ilustrar essa distinção de conceitos, poderíamos ter como referência a passagem de Mc 5,21-24.35-43 onde Jesus ressuscita a filha de Jairo. Jesus, encontrando uma menina morta, a primeira coisa que faz é dar a ela uma ordem de ressurreição: “Talitá cum”, que quer dizer: “menina, levanta” – <strong><u>isso é querigma</u></strong>, <strong><u>ordem de ressurreição</u></strong>: <strong>“volta a vida”</strong>. Somente depois de ressuscitar é que Ele diz aos pais da criança: “agora podem trazer o que comer” – <strong><u>isso é catequese</u>, <u>dar o alimento</u></strong>. É certo que Jesus não chegou mandando dar comida para quem não tem vida, mas primeiro ressuscitou, depois mandou alimentar. Portanto, primeiro querigma [devolver a vida] e depois catequese [dar o alimento].</p>
<p>Os Evangelhos sinóticos resumem a ação de Jesus, em três dimensões, com versículos similares, intercalados em diversos capítulos, que mostram Jesus percorrendo a Galileia proclamando (<strong>querigma</strong>), ensinando (<strong>catequese</strong>) e curando. O Novo Testamento apresenta explicitamente esse modelo em Atos dos Apóstolos 2,42 quando diz: “<em>Perseveravam eles na doutrina dos apóstolos&#8230;</em>” (<strong>catequese</strong>). Mas quem perseverava? Aqueles que tiveram um encontro verdadeiro com Jesus Cristo (<strong>querigma</strong>). Atos 2,38 vem antes de Atos 2,42. Nossa oferta deveria seguir o mesmo itinerário, se é que queremos voltar a experimentar o “ardor de uma Igreja viva como na primavera da Igreja nascente” como pediu Papa São João XXIII ao convocar toda a Igreja a rezar pelo Concílio Vaticano II.</p>
<p>A mescla desses conteúdos ou a postura de dar por suposto ou implícito a mensagem querigmática é uma realidade na Igreja hoje, a ponto do Papa Francisco afirmar em Evangelii Gaudium: “<em>Não se deve pensar que, na catequese, o querigma é deixado de lado em favor de uma formação supostamente mais ‘sólida’. Nada há de mais sólido, mais profundo, mais seguro, mais consistente, mais sábio que esse anúncio. Toda formação cristã é, primariamente, o aprofundamento do querigma&#8230; É o anúncio que dá resposta ao anseio de infinito que existe em todo coração humano</em>” (165).</p>
<p>No Novo Testamento, o conteúdo do Querigma foi passando por diversas fases até chegar ao que hoje entendemos como Querigma:</p>
<p><strong>1º)</strong> Pregação de João Batista e do próprio Jesus: o Reino de Deus. <em>“Convertei-vos porque o Reino de Deus está próximo&#8230;”</em> <em>“Cumpriu-se o tempo&#8230;”</em> – <strong><u>a chegada do Reino de Deus</u>.</strong></p>
<p><strong>2º)</strong> Depois da Paixão, morte, Ressurreição de Jesus, Sua ascensão aos céus, os apóstolos começaram a anunciar o <strong>querigma apostólico</strong>: contavam aos outros a experiência que fizeram. Encontraram Jesus, o Salvador, o Messias, o Enviado do Pai, o Senhor – <strong><u>a Salvação em Jesus Cristo.</u></strong></p>
<p><strong>3º)</strong> No final do século I, foi feito em Mateus 28,19 um acréscimo litúrgico completando, então, o que entendemos hoje como o conteúdo querigmático. Em Mateus 28,19 diz: <em>“Ide por todo o mundo e fazei de todos os povos meus discípulos. Batizai-os em nome do Pai e do Filho e do Espírito Santo&#8230;”</em> – <strong><u>confissão da Trindade</u></strong>. Antes se batizava em nome de Jesus.</p>
<p>“<em>O centro do primeiro anúncio (querigma) é a pessoa de Jesus, proclamando o Reino como uma nova e definitiva intervenção de Deus que salva com um poder superior àquele que utilizou na criação do mundo. Essa salvação é o grande Dom de Deus, libertação de tudo aquilo que oprime a pessoa humana, sobretudo do pecado e do Maligno, na alegria de conhecer a Deus e ser conhecido por Ele, de o ver e se entregar a Ele</em>” (EN 9; DGC 101).</p>
<p>O conteúdo do Querigma é a experiência de um Pai amoroso e providente: Deus ama você como um Pai amoroso de forma pessoal e incondicional; de Jesus como Salvador e Senhor e do Espírito Santo como Vivificador, doador da Vida nova e como poder de Deus para que se cumpra a missão de continuar a extensão do Reino dEle nesse mundo. No querigma não se dá nenhum desenvolvimento doutrinal, o que já seria catequese, mas se conta aos outros uma experiência vivida.</p>
<p>“<em>Evangelizar é, em primeiro lugar, dar um testemunho simples e direto do Pai, revelado por Jesus no poder do Espírito Santo</em>” (EN 26).</p>
<p>“<em>A base, o centro e o ápice do anúncio evangelizador é uma proclamação clara de que em Jesus encontramos a salvação</em>” (EN 27).</p>
<p>O Documento de Aparecida também estimula muito a proclamação do querigma como o anúncio central da fé em Jesus Cristo, do Reino que começa com sua chegada, da salvação que oferece a todo aquele que crê, do destino de vida eterna e da vivência da fé como irmãos na Igreja, antecipação e realização do Reino já nesse mundo.</p>
<p><em>            “A formação obedece a um processo integral, ou seja, compreende várias dimensões&#8230; <u>Na base dessas dimensões está a força do anúncio querigmático</u>. O poder do Espírito e da Palavra contagia as pessoas e as leva a escutar Jesus Cristo, crer nEle como seu Salvador, a reconhecê-lo como quem dá pleno significado a suas vidas e a seguir seus passos” </em>(DA 279).</p>
<p><em>            “Em nossa Igreja devemos oferecer a todos os nossos fiéis um &#8216;encontro pessoal com Jesus Cristo&#8217;, uma experiência religiosa profunda e intensa, um anúncio querigmático e o testemunho pessoal dos evangelizadores, que leve a uma conversão pessoal e a uma mudança de vida integral” </em>(DA 226a).</p>
<p><strong>            </strong>“<em>O Querigma não é somente uma etapa, mas o fio condutor de um processo que culmina na maturidade do discípulo de Jesus Cristo.</em><em> Sem o querigma, os demais aspectos desse processo estão condenados à esterilidade, sem corações verdadeiramente convertidos ao Senhor. Só a partir do querigma acontece a possibilidade de uma iniciação cristã verdadeira. Por isso, a Igreja precisa tê-lo presente em todas as suas ações</em>” (DA 278a).</p>
<p><strong><u>As metas do Querigma</u></strong></p>
<p>“<em>A forma própria do anúncio querigmático é a proclamação</em>” (Subsídios Doutrinais 4 &#8211; 31). Por isso, o querigma puro, explícito e completo deve ser oferecido sempre no âmbito de um Retiro, e o importante, quando se vive um Retiro Querigmático é que se cumpra o objetivo experiencial, vivendo as metas próprias do Querigma. Deve ser uma experiência profunda do ser inteiro, poderia-se dizer uma metanóia (mudança de mente e de coração realizada por Deus em referência a Ele), mudança de vida, experiência de salvação, de um novo nascimento para uma Vida nova, de tal maneira a transformar-se, de forma literal, em criatura nova como Jesus disse a Nicodemos (cf. João 3).</p>
<p>Seria importante lembrar que, diferente de metas humanas onde, pelo esforço pessoal, elas são alcançadas, a meta espiritual é onde a vida humana chega quando se deixa alcançar por Deus. É a obra que nenhum olho humano viu, nenhum ouvido ouviu, nenhum coração pressentiu, mas que Ele tem reservado para quem O ama.</p>
<p>As metas parciais são quatro, extraídas de Atos 2,38, quatro experiências que, somadas, geram o homem novo, capaz de dar a qualquer um que lhe pedir, a razão da sua fé, a razão da sua esperança (cf. 1Pd 3,15).</p>
<ol>
<li><strong> Conversão</strong> – É a primeira e a mais importante experiência que desperta, no coração humano, o desejo de aderir e pertencer definitivamente ao Senhor. “<em>A conversão é a resposta inicial de quem escutou o Senhor com admiração, crê nEle pela ação do Espírito, decide ser Seu amigo e ir após Ele, mudando sua forma de pensar e de viver, aceitando a cruz de Cristo, consciente de que morrer para o pecado é alcançar a vida</em>” (DA 278b).</li>
<li><strong> Adesão a Jesus como Salvador </strong>– que chegue a um encontro vivo com Cristo. É aceitar, com a vida, a oferta salvífica que jorrou da Cruz. “<em>A admiração pela pessoa de Jesus, Seu chamado e Seu olhar de amor despertam a resposta consciente e livre desde o mais íntimo do coração do discípulo, uma adesão a toda a Sua Pessoa, ao saber que Cristo o chama pelo nome. É um ‘sim’ que compromete radicalmente a liberdade do discípulo a se entregar a Jesus, Caminho, Verdade e Vida. É uma resposta de amor a quem o amou primeiro ‘até o extremo’</em>” (DA 136).</li>
<li><strong> Confissão de Jesus como Senhor </strong>– que implica reconhecer, aceitar, convidar, confessar com os lábios, consagração e rendição completa da vida ao Seu Senhorio. “<em>Não pode haver verdadeira evangelização sem o anúncio explícito de Jesus como Senhor e sem existir uma primazia do anúncio de Jesus Cristo em qualquer trabalho de evangelização</em>” (EG 110).</li>
<li><strong> Efusão do Espírito Santo </strong>– como consequência natural para aqueles que aceitaram Jesus como Messias, Salvador e Senhor e como Poder de Deus para se tornarem testemunhas e assumirem a missão da Igreja. Pentecostes é para missão: “<em>Eu vos envio aquele que o Pai prometeu</em>. [Já enviados]<em> Ficai na cidade até que do céu sejam revestidos de força”</em> (Lc 24,49). “<strong><em>O querigma</em></strong><em> atua por meio do testemunho dos apóstolos e <strong>se torna eficaz pela força do Espírito Santo</strong>&#8230; ‘Irmãos que devemos fazer?’. Pedro responde e indica o caminho da conversão e do Batismo em nome de Jesus Cristo, para o perdão dos pecados, dizendo-lhes: ‘<strong>e receberão o dom do Espírito Santo</strong></em>’ (At 2,38)” (Subsídios Doutrinais 4 &#8211; 38). “<em>Pela ação do Espírito, o Ressuscitado toca o coração das pessoas para que acolham a Boa Nova</em>” (Subsídios Doutrinais 4 &#8211; 37).</li>
</ol>
<p>Essas metas significam uma renovação e um reavivamento dos sacramentos da Iniciação Cristã: Batismo e Confirmação, para desembocar finalmente na Eucaristia. É o início de um itinerário catecumenal para cristãos já batizados recomeçarem a partir de Cristo (cf. DA 12).</p>
<p>“<em>Ou educamos na fé, colocando as pessoas realmente em contato com Jesus Cristo e convidando-as para seguí-lo, ou não cumpriremos nossa missão evangelizadora</em>.” (DA 287). “<em>A Iniciação Cristã, <strong><u>que inclui o querigma</u></strong>, é a maneira prática de colocar alguém em contato com Jesus Cristo e iniciá-lo no discipulado”</em> (DA 288).</p>
<p>O conteúdo do querigma é formado de anúncio, convite e resposta, onde “<em>a resposta ao anúncio querigmático é existencial, pois envolve toda a pessoa. Trata-se de uma verdadeira conversão por meio da qual ocorre o arrependimento dos próprios pecados e a adesão a Jesus Cristo, com a entrega da própria vida a Ele</em>” (Sub. Dout. CNBB (nº 4) 12). Esse conteúdo está dividido em blocos que correspondem aos sacramentos da iniciação cristã, para reavivá-los ou recebê-los de forma viva.</p>
<p>A estrutura da oferta querigmática é a seguinte:</p>
<table>
<tbody>
<tr>
<td width="288">
<p style="text-align: center;"><strong><u>I Bloco</u></strong><strong>: Reavivamento do Sacramento do <u>BATISMO</u></strong></p>
</td>
<td width="293">
<p style="text-align: center;"><strong><u>II Bloco</u></strong><strong>: Reavivamento do Sacramento da <u>CONFIRMAÇÃO</u></strong></p>
</td>
</tr>
<tr>
<td width="288">
<p style="text-align: center;"><strong>ANÚNCIO</strong></p>
</td>
<td width="293">
<p style="text-align: center;"><strong>ANÚNCIO</strong></p>
</td>
</tr>
<tr>
<td width="288">&#8211; Amor de Deus</p>
<p>&#8211; Salvação:</p>
<p>a) pecado e suas consequências</p>
<p>b) Jesus, solução de Deus</td>
<td width="293">&#8211; Senhorio de Jesus</p>
<p>&#8211; Dom do Espírito Santo:</p>
<p>&#8211; Promessa do Pai</p>
<p>&#8211; Cumprimento da Promessa</p>
<p>&#8211; Novo Pentecostes</td>
</tr>
<tr>
<td width="288">
<p style="text-align: center;"><strong>CONVITE</strong></p>
</td>
<td width="293">
<p style="text-align: center;"><strong>CONVITE</strong></p>
</td>
</tr>
<tr>
<td width="288">&#8211; Converta-se</p>
<p>a) pecado</p>
<p>b) ressentimentos</p>
<p>c) obras de Satanás</p>
<p>&#8211; Adesão a Jesus como Salvador</p>
<p>&#8211; Nascer de novo pelo Espírito</td>
<td width="293">&#8211; Faz de Jesus o seu Senhor</p>
<p>&#8211; Faz sua a promessa do Espírito</td>
</tr>
<tr>
<td width="288">
<p style="text-align: center;"><strong>RESPOSTA</strong></p>
</td>
<td width="293">
<p style="text-align: center;"><strong>RESPOSTA</strong></p>
</td>
</tr>
<tr>
<td width="288">&#8211; Liturgia Penitencial</td>
<td width="293">&#8211; Liturgia de Consagração</td>
</tr>
</tbody>
</table>
<p>Os temas de anúncio, o convite e a resposta são estes. Não podem ser mais, nem menos, nem outros. Desde o século I até agora, é este o conteúdo na Igreja Católica ou em qualquer outra Igreja cristã.</p>
<p>“<em>O Querigma é <strong><u>anúncio</u></strong> e <strong><u>proclamação</u></strong> para suscitar a fé nos ouvintes e manter acesa sua chama, de modo que acolhendo Jesus como Filho de Deus, Salvador e Senhor, participem de sua própria vida, da vitória sobre a morte, e alcancem, assim, a vida eterna”</em> (Subsídios Doutrinais 4 &#8211; 19).</p>
<p>Os conteúdos dos temas são muito simples e devem ser dados de forma simples e testemunhal, anunciado diretamente ao coração, onde os que ouvem não devem escrever nada, mas escutar com a mente e o coração abertos já que a fé vem pela pregação, ou seja, entra pelo ouvido (cf. Rm 10,17).</p>
<p>“<em>O anúncio deve ser feito na força do Espírito Santo e baseado no testemunho pessoal. Não se trata, pois, de um anúncio decorado e recitado mecanicamente, mas de um anúncio encarnado na própria vida” </em>(Subsídios Doutrinais 4 &#8211; 10).</p>
<p>“<em>A preocupação com a linguagem e a metodologia nunca deverá ser mais importante do que o <strong>anúncio direto, amoroso e convincente da pessoa de Jesus Cristo, morto e ressuscitado e de Seu Reino</strong>. <u>Esse anúncio tem força própria e pode ser feito até por pessoa de pouca instrução teórica e escolar</u></em>” (Cardeal Dom Cláudio Hummes).</p>
<p>“<em>&#8230; Para muitas pessoas do nosso tempo essa mensagem pode parecer loucura ou escândalo, porque está baseada não na arte retórica dos homens, nem na sabedoria desse mundo, mas somente no poder do Espírito Santo. Com efeito, o anúncio e a experiência de fé se baseiam no poder de Deus e não na sabedoria humana” </em> (Subsídios Doutrinais 4 &#8211; 20).</p>
<p><strong><u>Papa Francisco como Kairós</u></strong></p>
<p>“<em>Se uma pessoa experimentou verdadeiramente o Amor de Deus que o salva, não precisa de muito tempo de preparação para sair e anunciá-Lo&#8230; Cada cristão é missionário na medida em que se encontrou com o Amor de Deus em Cristo Jesus” </em>(EG 120).</p>
<p>“<em>A primeira motivação para evangelizar é o amor que recebemos de Jesus, aquela experiência de sermos salvos por Ele [querigma] que nos impele a amá-Lo cada vez mais. Um amor que não sentisse a necessidade de falar da pessoa amada, de apresentá-la, de torná-la conhecida, que amor seria? Se não sentimos o desejo intenso de comunicar Jesus, precisamos nos deter em oração para lhe pedir que volte a cativar-nos. Precisamos implorar a cada dia, pedir a sua graça para que abra o nosso coração frio e sacuda a nossa vida tíbia e superficial</em>” (EG 264).</p>
<p>“<em>Todos os cristãos, em qualquer lugar e situação em que se encontrem estão convidados a <strong>renovar, hoje mesmo, o seu encontro pessoal com Jesus Cristo</strong> ou, pelo menos, a tomar a decisão de se deixar encontrar por Ele, de procurá-Lo dia a dia, sem cessar. Não há motivo para alguém poder pensar que esse convite não lhe diz respeito, já que ‘da alegria trazida pelo Senhor ninguém é excluído’. Quem arrisca, o Senhor não o desilude; e, quando se dá um pequeno passo em direção a Jesus descobre-se que Ele já aguardava de braços abertos a sua chegada. Esse é o momento para dizer a Jesus Cristo: ‘Senhor deixei-me enganar, de mil maneiras fugi do vosso amor, mas aqui estou novamente para renovar minha aliança convosco. Preciso de Vós. Resgatai-me de novo, Senhor aceitai-me mais uma vez nos vossos braços redentores’. Como nos faz bem voltar para Ele</em>” (EG 3).</p>
<p>Com isso podemos entender a urgência e a necessidade de que todos recebam a Evangelização Querigmática. Disso depende a renovação das pessoas e por consequência de toda a Igreja.</p>
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